Helena Marcondes: astróloga, escritora e pesquisadora

Conheça Helena Marcondes, astróloga, escritora e pesquisadora, e descubra como astrologia, autoconhecimento, símbolos e investigação se encontram em seu trabalho.

HELENA EXPRESSA → CÉU & TERRA

10/2/20268 min ler

Quem é Helena Marcondes? Entre astrologia, escrita e pesquisa

Há uma pergunta aparentemente simples que se torna bastante complexa quando alguém passa muitos anos mudando de forma sem necessariamente mudar de essência: afinal, quem somos nós? A pergunta parece pedir uma resposta objetiva — uma profissão, uma formação, uma descrição, talvez algumas palavras capazes de caber em uma pequena biografia —, mas a vida raramente se deixa resumir dessa maneira. Podemos passar por diferentes trabalhos, relações, cidades, crenças, perdas, descobertas e versões de nós mesmos e, ainda assim, perceber retrospectivamente que havia um fio conduzindo tudo aquilo, mesmo quando não éramos capazes de enxergá-lo. Quando me perguntam quem é Helena Marcondes, portanto, eu poderia responder que sou astróloga, escritora e pesquisadora. Essa resposta é verdadeira, mas ainda não é suficiente. Existe alguma coisa anterior a essas definições: uma maneira particular de olhar para o mundo, uma inquietação diante das coisas que parecem óbvias demais, uma necessidade quase visceral de compreender aquilo que se manifesta na experiência humana antes de aceitar uma explicação pronta.

Talvez seja por isso que a astrologia tenha encontrado um lugar tão profundo na minha trajetória. Não cheguei a ela apenas pelo desejo de saber o futuro, como muitas pessoas imaginam quando ouvem a palavra astrologia. O que me fascinou foi a possibilidade de observar a existência através de uma linguagem simbólica capaz de estabelecer relações entre diferentes dimensões da experiência. O céu, nessa perspectiva, não é simplesmente um mecanismo que determina acontecimentos terrestres; ele se torna uma linguagem através da qual podemos contemplar ciclos, tensões, arquétipos, ritmos e correspondências. O mapa natal deixa de ser uma sentença sobre quem somos e passa a ser uma espécie de território simbólico que podemos visitar muitas vezes, encontrando novas paisagens conforme amadurecemos. A mesma configuração pode adquirir significados diferentes ao longo da vida porque nós mesmos mudamos diante dela. E talvez seja justamente aí que a astrologia se torna interessante: não quando pretende encerrar a pessoa dentro de uma definição, mas quando consegue devolver a ela perguntas que estavam esquecidas.

Minha maneira de trabalhar com astrologia foi se formando nesse encontro entre o símbolo e a experiência concreta. Ao longo dos anos, percebi que não me interessava tanto produzir interpretações que simplesmente dissessem às pessoas como elas são, mas acompanhar o movimento mais delicado pelo qual alguém começa a reconhecer determinados padrões da própria história. Existe uma diferença enorme entre receber uma descrição e participar de uma investigação. Na primeira situação, alguém nos entrega uma identidade; na segunda, somos convidados a observar nossa própria vida e verificar aquilo que encontra correspondência, aquilo que não encontra, aquilo que precisa ser revisto e aquilo que ainda permanece como pergunta. Essa distinção está no centro daquilo que desenvolvi como Eu Me Quero de Volta, uma expressão que nasceu da percepção de que, muitas vezes, o processo de autoconhecimento não consiste em criar uma nova personalidade, mas em recuperar partes de nós que foram sendo abandonadas, adaptadas ou silenciadas para que conseguíssemos sobreviver às circunstâncias da vida.

Foi também dessa necessidade de compreender padrões que nasceu minha relação com a escrita. Escrever, para mim, nunca foi apenas uma maneira de comunicar uma ideia que já estava pronta. É uma forma de pensar. Algumas coisas só começam realmente a existir intelectualmente quando encontram palavras, e algumas perguntas só revelam sua verdadeira dimensão quando somos obrigados a organizá-las em uma página. Talvez por isso eu tenha dificuldade em separar a escritora da pesquisadora. Quando escrevo sobre astrologia, estou investigando. Quando escrevo sobre uma experiência pessoal, estou tentando compreender alguma coisa que aconteceu comigo. Quando escrevo sobre um lugar, procuro perceber aquilo que existe entre a paisagem objetiva e aquilo que a paisagem desperta em quem a atravessa. Quando escrevo sobre sociedade, política ou comportamento, não estou abandonando a astrologia para falar de outra coisa; estou simplesmente levando meu olhar para outro território da experiência humana.

Essa talvez seja uma das razões pelas quais este site não queira ser apenas um site sobre astrologia. A astrologia é uma das linguagens através das quais eu penso, mas não é a totalidade daquilo que sou. Existe a mulher que observa o próprio corpo e tenta compreender suas respostas; a escritora que transforma experiências em narrativa; a pesquisadora que não se satisfaz com a primeira explicação; a astróloga que olha para o céu procurando padrões; a mulher que caminha por lugares antigos e se pergunta por que determinadas paisagens parecem carregar uma atmosfera própria; e existe ainda aquela parte de mim que simplesmente observa o mundo acontecendo e sente necessidade de registrar alguma coisa antes que a experiência desapareça na velocidade cotidiana. Todas essas mulheres são Helena. Não são personagens diferentes competindo por espaço, mas perspectivas diferentes de uma mesma consciência.

Foi nesse movimento que comecei a me interessar cada vez mais pelos lugares e pela relação entre território, memória e símbolo. Há uma diferença entre visitar um lugar e realmente observá-lo. Quando caminhamos por uma cidade, uma igreja, uma trilha ou uma paisagem natural, geralmente vemos aquilo que fomos ensinados a procurar: a beleza, a história, a função turística, a arquitetura, o monumento. Mas existe uma camada anterior e outra posterior a tudo isso. Existe o que aconteceu naquele lugar antes de chegarmos e existe aquilo que acontece dentro de nós enquanto estamos ali. Às vezes uma paisagem desperta uma lembrança; às vezes um símbolo chama nossa atenção sem sabermos por quê; às vezes uma experiência aparentemente banal permanece conosco durante anos. O lugar deixa de ser apenas cenário e passa a participar da narrativa. Foi dessa percepção que nasceram algumas das minhas investigações de campo, entre elas a pesquisa em torno da Gruta que Chora, em Ubatuba, uma experiência que me ensinou que uma pergunta pode ser mais duradoura do que uma resposta.

Quando digo que sou pesquisadora, portanto, não estou usando a palavra apenas para atribuir uma autoridade acadêmica àquilo que faço. Pesquisa, para mim, começa justamente quando alguma coisa interrompe a tranquilidade de uma explicação conhecida. É o momento em que uma experiência produz uma pergunta que não desaparece. A partir daí, começa o trabalho de observar, comparar, buscar referências, levantar hipóteses, reconhecer limites e, principalmente, aceitar a possibilidade de estar errada. Essa última parte é fundamental. Se uma investigação começa com a certeza absoluta de sua conclusão, ela corre o risco de se transformar apenas em uma tentativa de encontrar provas para aquilo que já decidimos acreditar. Prefiro trabalhar com hipóteses abertas, inclusive dentro da astrologia. O que me interessa não é provar que uma correspondência precisa existir, mas investigar se existe alguma relação que possa ser observada, descrita e, eventualmente, compreendida de maneira mais rigorosa.

Foi nesse espírito que comecei a desenvolver a Teoria Matemática Astrológica, uma pesquisa que procura investigar a astrologia a partir de relações matemáticas e astronômicas específicas, especialmente dentro da perspectiva heliocêntrica sideral que venho desenvolvendo. Essa pesquisa não nasceu de uma vontade de transformar o mistério em uma equação definitiva, mas de uma pergunta muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais difícil: existe alguma estrutura mensurável por trás de determinadas correspondências que a astrologia tradicionalmente interpreta de maneira simbólica? Se existe, como poderíamos investigá-la sem destruir aquilo que torna o símbolo significativo? Se não existe, o que exatamente estamos percebendo quando encontramos essas correspondências? Essas perguntas continuam abertas, e talvez devam permanecer abertas durante bastante tempo.

Há uma coisa que aprendi nesse processo: conhecimento e mistério não são necessariamente inimigos. Nós temos uma tendência a acreditar que, quando algo é explicado, deixa de ser misterioso; mas talvez o contrário também possa acontecer. Quanto mais compreendemos uma coisa, mais perguntas surgem ao redor dela. A astronomia não eliminou o céu como objeto de contemplação. A geologia não eliminou a beleza de uma montanha. A anatomia não tornou o corpo menos fascinante. Conhecer os mecanismos de alguma coisa não necessariamente diminui seu significado; às vezes apenas muda a qualidade da pergunta que fazemos diante dela. É nessa fronteira entre aquilo que podemos observar e aquilo que ainda não compreendemos que minha pesquisa encontra sua energia.

E existe ainda o corpo, que talvez seja o laboratório mais próximo de todos nós. Antes de qualquer teoria, existe a experiência de estar vivo. O corpo registra mudanças, responde aos ambientes, carrega memórias, participa das relações e nos coloca em contato com aquilo que acontece ao redor. Isso não significa transformar sensações em verdades absolutas, mas reconhecer que a experiência humana não acontece apenas no pensamento. Quando comecei a prestar mais atenção nessa dimensão, percebi que muitas das perguntas que eu fazia sobre astrologia também eram perguntas sobre consciência: de que maneira percebemos um acontecimento? Como construímos significado? Por que algumas experiências nos transformam e outras desaparecem sem deixar marcas? O que é interpretação, o que é memória, o que é símbolo e o que é realidade observável? São perguntas diferentes, mas pertencem à mesma investigação.

Talvez seja por isso que Céu & Terra tenha se tornado uma expressão tão adequada para este novo espaço. O céu representa, para mim, aquilo que observamos à distância, os ciclos, os símbolos, os movimentos que parecem maiores do que a nossa experiência individual. A Terra representa aquilo que tocamos: o corpo, o lugar, a história, as relações, a sociedade, os acontecimentos concretos. Entre os dois existe o ser humano, essa criatura curiosa que vive com os pés no chão e passa boa parte da existência tentando compreender o que existe acima da própria cabeça. Não vejo necessidade de escolher entre esses dois mundos. Quero investigar justamente a relação entre eles.

É também por isso que, a partir de agora, Helena Expressa terá espaço para assuntos que talvez pareçam diferentes à primeira vista, mas que pertencem ao mesmo universo de investigação. Vou escrever sobre astrologia e autoconhecimento, mas também sobre lugares, símbolos, acontecimentos sociais, política, memória, espiritualidade, comportamento e experiências que me provoquem alguma pergunta. Não pretendo transformar todos esses assuntos em astrologia, porque isso seria reduzir a complexidade do mundo a uma única linguagem. Também não pretendo abandonar a astrologia sempre que falar sobre alguma coisa que esteja acontecendo na sociedade. O que quero preservar é o olhar: a disposição para observar, relacionar, investigar e, quando necessário, permanecer diante de uma pergunta sem inventar uma resposta apenas para aliviar o desconforto de não saber.

Talvez esse seja o ponto mais importante da minha identidade hoje. Eu não quero oferecer apenas respostas sobre quem você é. Quero criar instrumentos para que você possa fazer perguntas melhores sobre si mesmo. Não quero dizer apenas o que um símbolo significa; quero investigar por que determinados símbolos continuam nos atravessando. Não quero olhar para um acontecimento apenas como notícia; quero observar aquilo que ele revela sobre nós enquanto sociedade. Não quero passar por um lugar apenas como turista; quero perceber sua história, seus sinais, sua materialidade e também aquilo que a experiência desperta. E não quero escrever apenas sobre aquilo que já compreendi, porque algumas das coisas mais importantes que encontrei na vida nasceram justamente de experiências que não consegui explicar imediatamente.

Talvez, no fim das contas, “Helena Marcondes” seja menos uma profissão do que uma maneira de caminhar pelo mundo. Astróloga é a linguagem que encontrei para olhar para o céu. Escritora é a maneira como organizo aquilo que penso e sinto. Pesquisadora é a postura que assumo diante daquilo que ainda não compreendo. E tudo isso se encontra na mulher que continua caminhando, observando, perguntando e escrevendo.

Este site nasce desse encontro.

Aqui estarão meus livros, minhas pesquisas, meus mapas, minhas jornadas, minhas reflexões e os projetos que ainda estão tomando forma. Algumas coisas chegarão como conhecimento; outras, como hipótese; outras, como memória; outras ainda, simplesmente como uma pergunta que não me deixou em paz.

Porque talvez seja isso que realmente significa expressar-se: não colocar para fora tudo aquilo que pensamos, mas permitir que aquilo que nos atravessa encontre uma forma, uma linguagem e um lugar no mundo.

E este é o lugar que escolhi para isso.

Eu sou Helena Marcondes. E este é o meu território entre o céu e a Terra.

Helena Marcondes é astróloga, escritora e pesquisadora, criadora da abordagem Eu Me Quero de Volta e da Teoria Matemática Astrológica. Seu trabalho investiga as relações entre astrologia, consciência, comportamento, símbolos e experiência humana, aproximando o céu daquilo que vivemos na Terra. Em seus textos, Helena transforma experiências, lugares e perguntas em matéria de investigação, buscando compreender o ser humano para além das respostas prontas.

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